Endometriose e estilo de vida

No mês de conscientização da endometriose, o Vida Veda conversou com as ginecologistas Beatriz Truyts e Lidia Myung sobre saúde feminina. Descubra o que mais pode ser feito para tratar a doença, além da cirurgia e do uso de medicamentos.

No mês de conscientização da endometriose, o Vida Veda conversou com as ginecologistas Beatriz Truyts e Lidia Myung sobre saúde feminina. Descubra o que mais pode ser feito para tratar a doença, além da cirurgia e do uso de medicamentos.

Por Anelize Moreira, gerente de escrita do Vida Veda

Desde os 11 anos, ela tinha cólicas fortes, faltava na escola, vomitava e até chegava a desmaiar de dor. Enfrentou o preconceito da família que pensava que os sintomas eram pura frescura. Como a maioria das mulheres, demorou para descobrir a doença. Aos 20 e poucos anos teve o diagnóstico de endometriose.

A história de Lidia Myung representa a saga de muitas mulheres em busca do diagnóstico e tratamento da doença. Hoje aos 45 anos, Lidia atua como ginecologista e cirurgiã e ajuda outras mulheres que sofrem com a endometriose.

É bem possível que você já tenha escutado, até mesmo de um médico, que ter cólica no período menstrual é normal. Não, não é. Qualquer dor que afeta a qualidade de vida de uma mulher, a ponto de prejudicar suas atividades diárias deve ser considerada e investigada. E não são poucos os casos.

Em todo o mundo são mais de 180 milhões de mulheres que não conseguem ter saúde no trabalho, no estudo e nas relações sexuais e afetivas, de acordo com a Organização Mundial de Saúde, a OMS. É por isso que todo ano, o mês de março é dedicado à conscientização da doença, que só no Brasil atinge seis milhões de mulheres.

Um estudo recente da Universidade Federal de São Paulo aponta que a mulher demora pelo menos cinco anos para chegar a um diagnóstico. E quando começa a fazer o tratamento, a doença já está em estágio avançado.

“Cólicas fortes, dor na relação sexual, infertilidade, são alguns sintomas da doença. Mas qual é causa da endometriose? Até agora não sabemos. O que sabemos é que fatores genéticos, imunológicos e ambientais aumentam as chances da mulher desenvolver a doença”, afirma Beatriz Truyts, ginecologista e obstetra, especialista em reprodução humana.

Beatriz explica que a endometriose ocorre quando o endométrio, ao invés de descer pela menstruação, se instala em outros locais da pelve feminina, gerando um processo inflamatório, ou ainda nódulos em diferentes órgãos, como útero, ovários, trompas, vagina, bexiga e intestino. Quando a mulher menstrua, esses focos sangram, inflamam, geram dor e podem até mesmo causar obstrução desses órgãos.

O diagnóstico se baseia no histórico clínico, assim como em exames de imagem — ressonância magnética e ultrassom transvaginal com preparo intestinal.

O tratamento convencional é feito com anticoncepcionais, mas quando a endometriose é profunda, ou em casos de dor persistente que compromete a qualidade de vida da mulher, o tratamento é cirúrgico.

Despertar

Lidia enfatiza que a cirurgia e os tratamentos da medicina moderna não curam o que levou ao adoecimento.

“O que eu percebi é que, mesmo após uma boa cirurgia, as pacientes continuavam com dor, pois a endometriose é uma doença de dor crônica, então o tratamento deve ser feito de forma global, o que inclui os hábitos de vida, algo difícil de mudar”, diz Myung.

Lidia conta as perguntas que costuma fazer às suas pacientes: “O que na sua vida você pode mudar? Você quer mudar isso?” Segundo ela, sem o comprometimento com o desejo de mudança não há melhora na saúde.

“A endometriose é a uma falha do sistema imune de fazer a limpeza do sangue que corre para dentro da pelve feminina. O sistema imunológico é o grande veículo de leitura e de comunicação entre os órgãos. E a gente sabe o que faz mal para ele: alimentação cada vez mais longe da natural, estresse, ausência de exercício físico, má qualidade de sono, fazer o uso excessivo de equipamentos eletrônicos”, complementa a especialista na doença. Portanto, o tratamento envolve mudança de hábitos de vida, além de parceria entre médico e paciente.

Quando Lidia adoeceu, o que também incluiu um câncer de mama, além da endometriose, ela diz que se deu conta da importância da saúde integrativa e despertou para o amor-próprio e o autocuidado.

“O que aprendi com adoecimento foi me amar e reservar tempo pra cuidar melhor de mim, seja fazendo uma lancheira com frutas e alimentos naturais, seja praticando exercício físico, meditando ou compensando horas mal dormidas. Com isso, consigo cumprir os meus deveres como médica. É preciso ter amor-próprio, atitudes mentais e emocionais para conseguir investir na mudança de hábitos de vida.”, encerra Myung.

Beatriz Truyts e Lidia Myung participaram do ConVIDA, Congresso Vida Veda de Medicina Integrativa, que aconteceu em janeiro deste ano.

As palestras estarão disponíveis até 5 abril. Aproveite!

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